Não sabote o tratamento: como o excesso de álcool pode derrubar sua estabilidade no TAB

Essa publicação é um alerta. Quem acompanha meus textos já sabe que estou em tratamento para o TAB e que esse processo, apesar de difícil, também aumenta muito a consciência sobre quem eu sou e sobre o que me faz bem — ou muito mal.

Em um momento de descuido, eu simplesmente chutei o balde. Bebi cerveja em excesso, misturei com outras bebidas e, dali em diante, o impacto foi aparecendo. A paz interna que eu vinha cultivando começou a desaparecer nos dias seguintes. Nos cerca de 10 dias depois da bebedeira, senti meu equilíbrio escapar — e ainda continuei bebendo ao longo da semana, como se isso não tivesse preço.

Sempre vai existir alguém dizendo que “não tem nada a ver”, que é exagero, drama ou frescura. Mas, falando da forma mais honesta possível: quem está vivendo o tratamento no próprio corpo sabe o peso que isso tem. Então aqui vai a verdade que aprendi na prática: não sabote o seu tratamento.

Quando falamos em transtorno afetivo bipolar, o uso exagerado de álcool não é um detalhe pequeno. O álcool pode intensificar oscilações de humor, aumentar a chance de recaídas e ainda atrapalhar a eficácia do tratamento medicamentoso, especialmente quando a pessoa usa estabilizadores de humor, antipsicóticos ou ansiolíticos. Fontes como o CISA destacam que o consumo excessivo pode piorar tanto sintomas depressivos quanto maníacos e ainda comprometer o sono e o ritmo biológico, dois pilares essenciais para manter a estabilidade.

E o problema não para aí. O excesso de álcool também pode bagunçar o sono, desidratar o corpo, reduzir o autocontrole e facilitar comportamentos impulsivos — exatamente o tipo de combinação que pode abrir espaço para crises mais intensas. O CISA aponta que essa relação entre álcool e TAB costuma formar um ciclo nocivo: o álcool piora a instabilidade emocional e a instabilidade emocional pode levar a mais consumo.

Na prática, sabotar o tratamento nem sempre parece sabotagem no começo. Às vezes vem disfarçado de “só hoje”, “eu mereço relaxar” ou “uma noite não vai fazer diferença”. Mas faz. E, em muitos casos, o preço aparece depois: piora do humor, irritabilidade, ansiedade, impulsividade, queda de rendimento, conflitos e sensação de que todo o esforço anterior foi jogado fora.

Se você está em tratamento, vale observar alguns sinais de alerta: aumento da vontade de beber para aliviar emoções, dificuldade de parar depois da primeira dose, piora do sono, instabilidade mais forte nos dias seguintes, abandono da rotina e relaxamento com a medicação. Esses sinais não significam fracasso, mas pedem atenção imediata.

Cuidar do TAB também é proteger o tratamento das escolhas que parecem inofensivas no momento, mas cobram caro depois. Se aconteceu uma recaída, o caminho não é culpa eterna — é retomar, reconhecer o gatilho e fortalecer a disciplina com apoio profissional. Não se trata de perfeição. Trata-se de responsabilidade com a própria saúde mental.

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