Receber um diagnóstico de saúde mental pode assustar, mas também é o primeiro passo para o autocuidado e a superação. No meu caso, foi assim: após o combo terapia + psiquiatra, veio o diagnóstico — Transtorno Afetivo Bipolar do tipo 2 (T.A.B.2). Descobri que essa condição afeta meus neurotransmissores desde a adolescência e, recentemente, percebi que também atrapalhava minhas habilidades sociais, especialmente no ambiente profissional.
Os gatilhos e desafios
O trabalho sempre foi o principal gatilho. Chega um momento em que simplesmente travo. Não consigo avançar, me deixo ser explorado até o limite da exaustão. Se encontro pessoas sem escrúpulos, a situação piora: elas me exaurem sem piedade. Identifiquei um padrão de períodos depressivos, sempre ligados ao trabalho. O ciclo é claro: começo a perder o interesse, faço um esforço anormal para realizar tarefas, fico angustiado e sem vontade, até perder a esperança e pedir demissão. Além disso, pensamentos recorrentes de insuficiência e dificuldade em dizer não para os outros são constantes.
Diagnóstico
O T.A.B.2 é caracterizado por episódios de depressão e períodos de elevação do humor, chamados de hipomania, que podem afetar profundamente a vida pessoal e profissional. Meu diagnóstico veio durante uma crise de depressão maior. Eu estava completamente arrasado, sem energia, sem saber o que queria ou como seguir meus objetivos. Semanas antes, estava empolgado e realizado, mas de repente tudo mudou. Nos últimos anos, acumulei projetos inacabados, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Foi na terapia que meu psicólogo levantou hipóteses que se confirmaram com o psiquiatra.
O tratamento e o autocuidado
Lembro bem do dia em que procurei o psiquiatra: uma segunda-feira de dezembro de 2025, exausto após um episódio de grande estresse emocional. No consultório, chorei, deixei tudo sair. Foi ali que entendi que precisava cuidar de mim de verdade. Hoje, faço uso diário dos medicamentos para o T.A.B.2. Sinto-me mais tranquilo, os pensamentos desaceleraram, aprendi a respeitar meus limites e, aos poucos, os sonhos voltaram a brilhar no horizonte.
Conselho final
Se você se identifica com esses sentimentos, abrace o autocuidado. Buscar ajuda profissional é um ato de coragem. Não se sujeite a ir além dos seus limites. O autocuidado merece ser prioridade na nossa vida.
